Nadar…. Muito mais que nadar!

A minha história de natação?

Mais que uma história apresento uma pequena descrição do que foi e tem sido para mim nadar: um momento de felicidade, autoconhecimento e autocuidado!

Tenho 47 anos, sou uma pessoa de desafios em que procuro viver de uma forma simples, tranquila… ser feliz, de acordo com o que acredito, com o que me desperta emoções, sentimentos e faz sentido. Apesar de preocupada com o Outro, desde sempre, hoje mantenho o espírito, mas aprendi a olhar mais para mim.

Sobre NADAR: lembro-me de em criança correr para a banheira feliz! sempre adorei tomar banho (ainda bem 😊) … era um momento de brincadeira em que adorava mergulhar a cabeça e suster a respiração, fazer bolhinhas e ficar o máximo de tempo a brincar dentro de água.

Com os meus avós ia à praia aos fins de semana: adorava ficar a observar os senhores mais velhos a nadar ao longo da costa, correr para as ondas fugir a correr com o meu avô a dizer “foge, foge”. Não me esqueço de que me ensinou a fixar um ponto em terra para não perder o equilibro e de me fazer lavagens nasais no mar, sem qualquer desconforto.

Aprendi a nadar, em criança, em clubes como Sporting Club, Algés e Dafundo e Belenenses. Inscrita pelos meus pais, por influência dos meus queridos avós, era um momento de felicidade, adorava estar na piscina, ouvir o(a) treinador(a) e seguir as suas instruções. Não sentia medo, era um ambiente onde me sentia tranquila e onde gostava de estar.  Além disso, tinha a companhia do meu primo, com quem sempre adorava estar e brincar. No entanto, ele não gostava tanto de nadar/aulas, mas isso não isso não era problema, eu continuava a saltar para dentro de água cheia de vontade.

Lembro-me de gostar de nadar, não pela competição, mas porque me sentia bem.

Nadei até aos 12-13 anos. Tenho memória de adorar nadar de baixo de água (ver que distâncias conseguia, tentando fazer mais e mais), atirar objetos e ir apanhar, testar quanto tempo aguentava sem respirar, fosse na banheira, segura às escadas da piscina ou no mar. Pratiquei bodyboard e adorava, sempre sem medo, apesar do respeito que tinha pelo mar.

No entanto, deixei as aulas, sem um motivo que me lembre, apesar de hoje ter pena, pois era feliz, para além de ter podido evoluir no meu nado.

Penso que por ter sido algo sempre tão bom e o nosso subconsciente/interior ficar com memórias, aos 35 anos decido tirar o curso de nadadora-salvadora, um desafio onde me vi rodeada por pessoas a concorrer, em média, com menos 15 anos que eu. Inscrevi-me e falhei na 1ª tentativa, pois não consegui cumprir o tempo estipulado, pois tinha-me inscrito sem ter treinado. Não conhecia ninguém, prendeu-se por ser algo ligado ao mar, praia, energia e por ser uma atividade onde a minha função seria vigiar, cuidar dos outros, e claro… um desafio pessoal! Saí da piscina triste, mas com a noção que tinha sido por minha culpa, não tinha treinado!! Um dos avaliadores dirigiu-se a mim e disse: “não desista, volte no próximo, daqui a umas semanas”. Aquelas palavras tiveram uma importância gigante. Inscrevi me na piscina e comecei a treinar. Voltei a concorrer e passei. Tinha conseguido ultrapassar o 1º desafio! Começava o 2º: o curso com aulas teóricas e práticas na piscina em Outurela e no mar. Trabalhava por turnos e por o desafio era maior, pois não conseguia descansar como seria desejado. Fazia trocas e depois do turno ia nadar. Foi um período feliz onde conheci pessoas novas, mais novas que eu, mas com quem aprendi tanto. Desenvolvemos um espírito de equipa, em que o mais forte puxava pelo que tinha mais dificuldades, e assim consegui terminar o curso. Em funções na praia e no mar continuávamos a ser uma equipa, mesmo os colegas sem outros. O mar, praia trazia-me uma paz de espírito, uma tranquilidade e bem-estar, em que muitas vezes após o turno da noite sentia-me menos cansada que tantos outros dias. Era maravilhoso chegar à praia, sentir aquele cheiro, ouvir as ondas, caminhar e entrar no mar. Ao fim do dia estava revitalizada, feliz. E assim se passaram 3 anos. Por motivos profissionais deixei de ser nadadora-salvadora, com muita pena minha.

No entanto, é hoje que o nadar assume uma importância gigante. Para além de ser um prazer, um gosto… é uma ferramenta de autocuidado.

As palavras não conseguem descrever o que sinto… isto porque há 1 ano tive o meu pior ano, o que nunca pensei viver…hoje ainda choro! Há 2 anos tive de ser submetida a uma cirurgia da coluna, nada comparado ao que veio de seguida. A vida pregou-me uma rasteira daquelas, um murro no coração e alma…a perda da minha querida irmã, por suicídio, e mais uns murros no estômago (outros lutos). Tenho estado em modo sobrevivência, a caminhar apesar da dor que carrego.

Neste ano de horror, terminei o último ano da licenciatura em Enfermagem e decidi começar a treinar em dezembro de 2025 algo que tinha deixado há tantos anos… mais um desafio, pois ao fim de 1 metro já estava ofegante. A força, flexibilidade, mobilidade quase zero. Iniciei assim, o treino Hyrox, onde me comecei a sentir muito bem física e mentalmente.

Do nada, sem influência, olhei para o mar e decidi voltar a nadar. Comecei a pesquisar e deparei com provas em águas abertas. Achei que iria gostar, que tinha a ver comigo decidindo assim começar a nadar em águas abertas. Consciente da necessidade em aprender e treinar decido abraçar este novo desafio. Para isso precisava de alguém do mar, lembrei-me de um amigo (professor de surf nos tempos livres) que me disponibilizou o contato de uma amiga que nadava em águas abertas e que por sua vez me facultou o contato da Swim4Fun!

Contato a Swim4Fun … Marco uma aula experimental…. adorei! Senti-me em casa pela forma como fui recebida, desde o 1 contato, à coach, aula, ambiente. Assim começou mais um desafio, mesmo a mais 50 km de distância. Comecei a ter aulas 1x por semana! Ao fim de 5 aulas sinto-me tranquila, feliz e ao olhar para as fotos vejo, de novo, um sorriso rasgado, natural e feliz, por todo o ambiente das aulas (turma composta por pessoas extraordinárias que partilham o gosto pelo mar, desafiam e onde nos ajudamos e olhamos uns pelos outros, e pela excelente coach Anabela- mais que uma coach, pois treina-nos tecnicamente numa forma holística, empoderando cada elemento num sorriso, humildade constante, trabalhando as necessidades de cada um e mostrando que é possível) e por tudo o que o nadar me está a dar!

Ao dia de hoje estou inscrita em 5 provas… não por desejar resultados, não pela competição (apesar de provocar adrenalina e ser boa essa sensação), mas pelo desafio a que me propus e me recordar do que sou capaz. Passa por aprendizagem, resiliência, estado de espírito em que me desafio e em que o que conta é começar, terminar e obter, durante todo o percurso (treino e provas), uma satisfação mental e física. No mar sinto-me tranquila, apesar de perceber que a minha condição física não é forte. Dou voz à mente, à força interior de querer superar e obter os objetivos. Além disso percebo que não controlo o mar, aprendo a navegar nele, e que não adianta nadar contra, pois irei desgastar-me, o importante é aproveitar como o mar estar, apesar de ser necessário possuir técnica. Além disso, identifico-me com o amor pois apesar de ser necessário ser forte, o mar ensina-nos a enfrentar os medos. A nadar vejo-me a falar comigo quando a onda está mais forte e a respiração difícil, quando estou exausta e apetece para, quando o fundo não é visível e penso que pode aparecer algum animal de maiores dimensões. E mesmo quando tudo está mais tranquilo, percebo que o foco tem de estar no nadar relaxado e não ligar a pensamentos que poderão desfocar.

Poderia ficar a escrever tudo o que sinto, mas já vai longo o texto… por isso concluo: Nadar tem-me feito bem, muito bem, pois desafia-me e melhora o meu bem-estar físico e mental.

A nadar sou feliz, voltei a sorrir!

Obrigada, Swim4Fun!

Setúbal, 25 março 2026

Ana Sampaio

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