
No dia 14 de setembro de 2025 disse uma frase que, na altura, pareceu apenas um desejo distante: “Para o ano sou eu ali.”
Hoje percebo que aquela frase mudou muito mais do que imaginava.
Faz um ano que comecei a nadar em águas abertas. Parece pouco tempo, mas às vezes sinto que vivi uma vida inteira dentro deste ano. Houve desafios, conquistas, medos, dúvidas e momentos em que me surpreendi a mim própria.
Porque a verdade é que eu tinha medo do mar.
Mesmo sabendo nadar, não gostava de ir para onde não tivesse pé. Não conseguir ver o fundo deixava-me desconfortável. Sentia ansiedade. Sentia insegurança. E durante muito tempo deixei que esse medo ditasse os meus limites.
Por isso, quando olho para trás, não vejo apenas uma pessoa que aprendeu a nadar melhor. Vejo alguém que decidiu enfrentar aquilo que a assustava.
Durante este último ano treinei com um objetivo muito claro: completar a Travessia do Rio Guadiana.
Treinei nos dias em que estava motivada e nos dias em que não estava. Acordei cedo, cansei-me, ultrapassei dificuldades e imaginei muitas vezes o momento de cruzar a meta. Queria muito viver essa experiência.
Mas a vida, tal como a água, nem sempre segue o rumo que planeamos.
No dia da prova, a corrente foi mais forte do que eu. Lutei contra ela durante o tempo que consegui. Tentei adaptar-me. Tentei encontrar soluções. Mas chegou um momento em que tive de aceitar que não ia conseguir terminar.
E desistir foi uma das decisões mais difíceis daquele dia.
Durante alguns minutos senti um vazio enorme. Senti frustração. Senti tristeza. Senti que tinha falhado.
Mas, à medida que as emoções acalmaram, comecei a perceber uma coisa.
Falhar não era não chegar à meta.
Falhar teria sido nunca me inscrever.
Falhar teria sido continuar na margem a ver os outros fazerem aquilo que eu acreditava não ser capaz de fazer.
Falhar teria sido deixar que o medo continuasse a mandar em mim.
A verdade é que esta travessia me deu exatamente aquilo que eu fui procurar, embora não da forma que imaginava.
Ensinou-me que podemos preparar-nos ao máximo e, mesmo assim, haverá sempre coisas que não controlamos.
Mas também me mostrou que a nossa força não se mede apenas pelos objetivos que alcançamos. Mede-se pela forma como reagimos quando as coisas não correm como queremos.
Hoje não olho para esta experiência como uma derrota.
Olho para ela e vejo uma mulher que, há um ano, tinha medo do mar e que agora entra nele com confiança, respeito e vontade de continuar.
E, para mim, essa transformação vale muito mais do que qualquer medalha.
Por isso, se estás a adiar um sonho porque tens medo, porque achas que ainda não estás preparado ou porque pensas que não és capaz, deixa-me dizer-te uma coisa:
Eu também achei isso durante muito tempo.
Mas, às vezes, a maior vitória não está em chegar à meta.
Está simplesmente em ter coragem para começar.
E eu?
Eu vou voltar.
Porque a história que começou com “Para o ano sou eu ali” ainda não terminou.
🌊💙💪🏻
Beatriz Nobre

