Da resiliência à diversão

Minha história com a natação começou cedo, já na infância, mas acabou rápido. Eu tinha apenas 5 ou 6 anos, mas ainda lembro daquela enorme piscina na minha frente e o que aprendi me ajudou a não começar do zero quando retomei.
Morando no interior do Brasil, longe de qualquer praia, e com o custo elevado de aulas de natação ou mesmo pelo precário acesso às piscinas, só voltei a nadar realmente para poder participar de provas de triatlon. A primeira experiência em águas abertas foi em uma represa perto de Sorocaba/SP, nadei 200 metros, talvez menos, a água devia estar uns 18º, travei e sai da água. Para quem nada em Portugal 18º é até quente, mas para brasileiro, é geladíssimo.
Felizmente eu sou teimoso, tentei de novo e de novo, e com isso fiz várias provas de triatlon no Brasil e uma na França. Eu brincava com os amigos que a meta na prova de triatlon era conseguir terminar a etapa da natação, o resto com certeza a gente terminava, mas a natação era uma incógnita.


Durante o processo me apaixonei pela natação ao ponto de pensar que, se um dia o triatlon não for mais possível, a natação vou continuar.
O que me apaixonou pela natação em águas abertas foi a paz, a sensação de fazer parte daquele meio aquático, de ver lugares por uma perspectiva que só consigo por meio da natação, de poder se perder nos pensamentos com o horizonte sem fim à vista.
Quando vim para Portugal, com esse litoral maravilhoso e próximo (apesar de gelado rsrs) decidi que a natação seria o meu lazer, mas não queria me aventurar sozinho no mar e, então, conheci a equipe do Swim4fun, pessoas que amam a natação e se divertem no processo de superar limites, independente do seu ritmo, todos podem, todos participam, todos se alegram com as vitórias dos outros.
Assim, a natação em águas abertas passou de uma etapa de uma competição que precisava ser cumprida para o esporte que me diverte.

Ricardo Silvério

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