Quando a rota falha: minha pequena experiência “à deriva” e a importância de manter a calma

Olá, swimmers!
Me chamo Diego Sampaio, brasileiro e carioca, em Lisboa há 5 anos.

O Rio de Janeiro é um verdadeiro paraíso para os amantes da natação em águas abertas: natureza abundante, água em temperatura agradável e infinitas possibilidades de travessias.

Certa vez, juntei-me a um grupo de amigos para nadar a travessia da Prainha até a Pedra do Pontal, algo em torno de 4 km. Manhã de sol, pouco vento, boas correntes… condições ideais reunidas. Vamos a isso!

Entramos juntos na água e avançamos até o fim da praia, rumo ao nosso destino. Nesse ponto, escapou-me um detalhe importante: a praia seguinte (Praia da Macumba) tem um formato côncavo, como se fosse uma baía, o que exigia uma correção de rota mais próxima à faixa de areia. Desatento a esse detalhe, olho para a Pedra do Pontal no horizonte e sigo em linha reta.

Pois bem, lá ia eu a nadar, em um processo contemplativo da natureza, e, após meia hora de braçadas, decido parar para procurar meus amigos. Amigos? Não havia o menor sinal de vida humana por perto. Olho para a costa: vejo a praia ao longe, MUITO longe (imagino que a cerca de 1,5 km). Olho para trás — voltar já não era uma opção.

Olá, desespero. Seja bem-vindo à minha travessia!

Em um breve momento, uma atividade prazerosa foi tomada pelo medo. A profundidade era tamanha que eu via apenas um azul escuro infinito, ao som de um silêncio ensurdecedor. Por alguns instantes, senti um medo que poucas vezes experimentei na vida. Tinha a convicção de que uma baleia-orca surgiria à minha frente, ou que uma corrente me levaria para o mar aberto.

Tentei continuar, inutilmente. Nadar na companhia do medo é extremamente desgastante.

Fiz então um esforço hercúleo para me recompor, até que um pensamento libertador surgiu: “Mas eu já não estava aqui a nadar? O mar não mudou! O que mudou foi a minha cabeça.”

Olhei novamente para o destino, agora mais consciente dos fatores que compunham o momento, e tracei um plano simples: uma braçada após a outra, foco total na técnica e na respiração — e, eventualmente, eu chegaria lá.

1h40 depois, cheguei são e salvo ao destino. Ufa!

O mar vai nos propor cenários desafiadores — controlá-los é impossível. Resta-nos controlar essa incrível máquina chamada mente. Encontrar paz e consciência em momentos turbulentos é uma habilidade vital para os que se aventuram no mar.

Boas braçadas a todos!

Diego Sampaio

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *