
Fui a Nice, em Junho de 2025, para participar em eventos da UNOC – Conferência dos Oceanos.
Aproveitei uma pausa, e convenci meu marido para me fazer companhia num treino de águas abertas, num mar muito calmo, com objectivo de nadar tranquila, cumprir o plano e voltar com aquela sensação de missão cumprida.
Demos uma pequena volta, e resolvemos ir até um pequeno rochedo, para ver se conseguiamos ver a diversidade marinha… mas por puro azar, acabámos a nadar em diretamente em direção à área mais protegida do evento UNOC, precisamente onde se encontravam os altos dirigentes dos países da Europa.
Enquanto eu contava braçadas e respirava de lado, do outro lado estavam reuniões de alto nível, segurança máxima e tolerância zero para nadadores aventureiros fora de rota.

De repente, damos por nós no centro de uma atenção que não pedimos. Em segundos, surgem as forças de segurança, lanchas rápidas com soldados armados, muito eficientes, muito sérios,… e nós de touca e óculos, a tentar parecermos o mais inofensivos possível. O treino passou oficialmente a operação de escolta aquática.
Fomos acompanhados com todo o cuidado até fora da zona sensível, num momento digno de filme — só que sem música épica e com mais vergonha alheia.
O susto inicial deu rapidamente lugar à gargalhada interna: quem é que pode dizer que foi “escoltada” durante um treino de natação?
Conclusão: não interrompemos nenhuma cimeira internacional, nem demos origem a nenhuma crise diplomática, mas saimos com uma história brilhante para contar.
Um treino normal? Nem por isso.
Uma aventura completamente inesperada? Sem dúvida.
Moral da história: no mar aberto, convém mesmo saber para onde estamos a ir — especialmente quando a Europa inteira está reunida ali ao lado.
Maria Sá
